Contato Via

Sua marca sempre tem algo para contar.

17ª PARECIS SUPERAGRO

Deltan Dallagnol defende reação do setor e diz que agro precisa enfrentar “narrativas mentirosas” para não ser demonizado

Dallagnol afirmou que, embora o setor tenha capacidade de gerar riqueza, é necessário um ambiente mais favorável para investimentos, especialmente na renovação de máquinas e tecnologias

Artigos de Opinião / Publicado em 14.abril.2026

O ex-procurador da República Deltan Dallagnol realizou a palestra de abertura da 17ª Parecis SuperAgro, na manhã desta terça-feira (14), em Campo Novo do Parecis. Ao ministrar a palestra com o tema: “A Defesa do Agro na Política, na Justiça e na Mídia: as Narrativas e a Verdade”, ele defendeu que agronegócio precisa se posicionar de forma mais ativa diante do que classificou como uma agenda “anti-agro” construída por setores ideológicos.

Segundo Dallagnol, o setor rural tem sido alvo de ataques que buscam associar o agro a estigmas como fascismo, poluição e desmatamento. “Existe uma visão anti-agro, que é uma visão de esquerda, que chama o agro de fascista, poluidor, desmatador, que usa qualquer coisa com uma pedra, uma narrativa mentirosa para atirar no agro”, afirmou. Para ele, a omissão do setor ao longo dos anos contribuiu para o fortalecimento dessas críticas. “Foi a nossa omissão que nos trouxe até aqui. Você colocar a cabeça embaixo da terra não vai mudar essa realidade”, completou.

Dallagnol também relacionou os desafios enfrentados atualmente pelo agronegócio, como endividamento e desvalorização de grãos, a fatores estruturais ligados à gestão pública e à falta de investimentos. Ele criticou o que chamou de desperdício de recursos e manutenção de privilégios pelo Estado, apontando que isso compromete o orçamento destinado ao setor produtivo. “Tem a ver com o Estado que gasta mais do que tem de receita, que desperdiça, que alimenta privilégios e que não gerencia bem recursos. Aí, é claro, falta recurso para tudo”, disse.

O ex-procurador destacou ainda a redução de subsídios agrícolas e dificuldades na infraestrutura logística como entraves diretos para a competitividade brasileira no mercado internacional. “Eu vi que os valores separados para subsídios agrícolas foram sendo cortados ao longo dos últimos quatro anos e, além disso, a infraestrutura também sofreu muito. Infraestrutura essencial para que o nosso produto agrícola possa chegar com competitividade no exterior”, ressaltou.

Dallagnol afirmou que, embora o setor tenha capacidade de gerar riqueza, inovação e produtividade, é necessário um ambiente mais favorável para investimentos, especialmente na renovação de máquinas e tecnologias. “Se você quer renovar maquinários, investir em produtividade e aumentar a produção com a mesma área, você precisa inovar. E sem subsídio para investimento, é muito difícil avançar”.

Na avaliação do palestrante, o agronegócio brasileiro ainda não recebe o reconhecimento que deveria, mesmo sendo responsável por uma parcela expressiva da economia nacional. “Nós temos uma agenda hoje que não prestigia, não honra o agronegócio como ele deveria ser honrado, como setor responsável por 25% da riqueza produzida no Brasil e 50% das nossas exportações”.

Ao falar sobre caminhos para fortalecer a defesa do agro, Dallagnol defendeu maior participação do setor em diferentes áreas estratégicas da sociedade. Para ele, o enfrentamento precisa ir além da produção e chegar à política, à cultura e à educação. “Esses caminhos precisam envolver necessariamente a gente entrar com pessoas que têm uma visão do mundo, a mesma do agro, de fé, de trabalho, de família. Precisa entrar nas várias áreas da sociedade”.

O ex-procurador também criticou o que classificou como influência crescente de discursos contrários ao agronegócio em materiais didáticos, universidades e manifestações culturais. “Hoje os materiais didáticos das crianças são inundados por visões anti-agro. Universidades fazem eventos sobre como combater o agronegócio. As escolas de samba retratam o agro dentro de uma lata de conservas ou com um grande símbolo de agrotóxico no peito”.

Por fim, Dallagnol defendeu que o setor avance na construção de uma agenda positiva para contrapor críticas e reafirmar a importância econômica e social do agronegócio brasileiro. “Nós precisamos invadir a cultura com uma agenda pró-agro, levar a verdade, desmistificar as narrativas e trazer justiça para esse setor que é quem sustenta, carrega o Brasil nas costas”, concluiu.

17ª Parecis SuperAgro

A Parecis SuperAgro é uma realização do Sindicato Rural de Campo Novo do Parecis e conta com o patrocínio da Aprosoja-MT, Senar-MT, Aster (Concessionária JD), Sicoob Credisul e Sicredi, além do apoio da Prefeitura de Campo Novo do Parecis e da Câmara Municipal de Campo Novo do Parecis.