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1ª ARINOS SHOW AGRO

Analista alerta para alta dos custos e recomenda cautela do produtor rural na próxima safra

Jeferson Souza explicou que a discrepância entre custo e receita gera incertezas sobre a capacidade de expansão do Brasil

Notícias / Publicado em 08.maio.2026

O aumento expressivo do custo de produção e os desafios para o crescimento do agronegócio nos próximos anos foram debatidos pelo especialista Jeferson Souza, analista de fertilizantes da Agrinvest Commodities, durante palestra realizada nesta quinta-feira (7), na programação técnica da 1ª Arinos Show Agro, no Parque da Acrivale, em Juara. A palestra foi um oferecimento da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT).

Com foco em tendências e planejamento estratégico, o palestrante destacou que o setor vive um momento de preocupação, especialmente diante da elevação dos custos para a próxima safra, enquanto o preço dos grãos segue em queda. Segundo dados apresentados, o custo total médio da soja no Brasil para a safra 2026/27 deve alcançar R$ 7.293 por hectare, com forte peso dos insumos, que representam 47% do total. Os custos operacionais respondem por 29%, além de arrendamento (10%) e custo de oportunidade (15%). O aumento é puxado principalmente pela alta de 19% nos insumos em comparação com 2024/25, o que pressiona a margem do produtor.

“O custo de produção subiu muito e isso preocupa o setor como um todo, porque a receita do produtor não subiu. O grão, em particular, vem de uma queda”, afirmou.

No caso do milho safrinha, o cenário também é de forte pressão. A projeção para 2026/27 aponta que o gasto com insumos por hectare pode chegar a 95,3 sacas por hectare à vista e 104,7 sacas por hectare a prazo, um aumento de aproximadamente 27,8% em relação à safra anterior, configurando o maior valor da série analisada. Segundo a análise, essa elevação tende a comprimir ainda mais a margem da segunda safra.

Jeferson Souza explicou que a discrepância entre custo e receita gera incertezas sobre a capacidade de expansão do Brasil, que nos últimos anos avançou fortemente em área plantada. Para ele, a dúvida agora é se o país seguirá crescendo ou se entrará em um processo de estagnação no médio prazo.

“Será que o Brasil, que cresceu tanto em área, vai conseguir crescer nos próximos anos ou a gente vai ter um processo de estagnação daqui para frente? Essa é uma interrogação que nós temos”, ressaltou.

Outro fator de preocupação destacado pelo analista foi o aumento do endividamento do setor e a escalada de pedidos de recuperação judicial, que impactam diretamente o ambiente de crédito. Dados apresentados apontam uma explosão nos pedidos de recuperação judicial de produtores rurais em 2024 e 2025. Entre pessoas físicas, os registros saltaram de uma média entre 5 e 9 pedidos por trimestre em 2021 e 2022 para 255 pedidos no terceiro trimestre de 2025, um crescimento de 28 vezes. Entre pessoas jurídicas, o movimento também foi expressivo, chegando a 243 pedidos no segundo trimestre de 2025.

Conforme a análise, esse cenário aumenta o risco percebido pelo mercado financeiro e encarece o crédito rural, elevando juros e exigências para concessão de financiamentos, especialmente em um ambiente de taxa Selic ainda elevada.
Diante desse quadro, o especialista reforçou que as principais estratégias para enfrentar o momento estão ligadas ao manejo e à eficiência dentro da porteira, com o produtor buscando desempenho produtivo e controle rígido de custos.

“O produtor tem que ter um controle muito forte do custo dele na ponta do lápis. A missão do produtor rural vai ter que ser da porteira para dentro, da forma que ele conseguir manejar o sistema dele para que tenha uma performance boa em 2026 e 2027”, destacou.

Ao comentar o ambiente econômico atual, marcado pela retração do mercado e pelo avanço de recuperações judiciais, Jeferson Souza avaliou que o setor ainda vive um período de cautela. O analista orienta que não é o momento ideal para contrair novas dívidas, especialmente para produtores já endividados.

“É um momento de cautela. O produtor rural não está em um ambiente em que consegue honrar dívidas. Nós já temos um endividamento muito grande e contrair dívida agora é muito complicado”, afirmou.

Para o presidente da Associação dos Produtores do Vale do Arinos (Acrivale) e coordenador-geral da feira, Ricardo Bianchin, a palestra trouxe um alerta importante e reforçou o papel da Arinos Show Agro como espaço de orientação e tomada de decisão. “O produtor rural precisa estar bem informado para enfrentar os desafios do mercado. A palestra do Jeferson trouxe uma visão realista sobre custos, riscos e planejamento, ajudando o público a pensar estrategicamente o futuro. Esse é o propósito da Arinos Show Agro, oferecer conteúdo técnico e visão de longo prazo para fortalecer o agronegócio do Vale do Arinos”, destacou.

1ª ARINOS SHOW AGRO
A Arinos Show Agro segue até o dia 9 de maio, no Parque da Acrivale, em Juara. A feira é uma realização da Associação dos Produtores do Vale do Arinos (Acrivale), em parceria com o Sindicato Rural de Juara, e conta com o apoio institucional da Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso (ALMT), por meio dos deputados Janaina Riva, Dr. João e Dilmar Dal Bosco; da Prefeitura Municipal de Juara; da Câmara Municipal de Juara; e da Aprosoja. Entre os patrocinadores estão: Sicredi; Sicoob Credip; GGM Insumos Agrícolas; e FortAgro Pecuária e Agrícola, Satt Tecnologia e Cresol.