Contato Via

Sua marca sempre tem algo para contar.

17ª Parecis SuperAgro

Molion alerta para risco de estiagem a partir de maio e aponta possibilidade de geadas em 2026

Artigos de Opinião / Publicado em 14.abril.2026

O meteorologista Luiz Carlos Molion, pesquisador sênior aposentado do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e referência nacional em dinâmica do clima, foi um dos destaques da programação da 17ª Parecis SuperAgro, em Campo Novo do Parecis. Durante palestra com o tema “Perspectivas para 2026 e Tendências para 10 Anos”, Molion apresentou análises sobre o comportamento climático nos próximos meses e apontou atenção especial para a segunda safra e para o planejamento do próximo ciclo agrícola.

Em entrevista após a palestra, Molion analisou sobre o plantio de milho fora da janela e o desenvolvimento devido à tendência de redução das chuvas a partir de maio. “A previsão é que chova até o final de abril e depois, em maio e junho, já seque. Se plantar atrasado, a planta pode pegar um estágio de reprodução no período em que as chuvas vão escassear, e pode ser que dê problema”, alertou.

Ao analisar as perspectivas para o plantio da soja na safra 2026/2027, Molion explicou que o cenário deve variar conforme a região e destacou que algumas áreas podem enfrentar atraso no início da estação chuvosa. “Se as frentes frias permanecerem estacionárias, o que vai acontecer é que chove debaixo da frente, mas na frente dela desce ar seco. Regiões como oeste de Mato Grosso, Goiás, norte de Minas Gerais e Tocantins podem sofrer atraso no início da estação chuvosa e só começar a chover depois do dia 20 de novembro”, avaliou. Apesar disso, ele indicou que, no período entre janeiro e março, a tendência é de menor risco, embora exista possibilidade de veranicos em fevereiro.

Outro ponto abordado foi o debate sobre a formação do fenômeno El Niño. Para Molion, há exagero e “alarmismo” nas previsões divulgadas neste período do ano, as quais ele considera com maior margem de erro sobre como de fato será o fenômeno. Segundo ele, apesar do aquecimento das águas do Pacífico, a atmosfera ainda não demonstrou acoplamento típico do fenômeno. “Todo mundo fala em El Niño, mas esquece que existe uma contrapartida na atmosfera, chamada oscilação sul. O índice está positivo agora, em torno de 1,2, coincidindo com situação de La Niña. A atmosfera não está respondendo”, explicou.

Molion ainda levantou a hipótese de que o aquecimento atual do Pacífico Equatorial possa ter relação com a redistribuição de águas quentes após um terremoto registrado na região de Kamchatka, na Rússia. Para ele, isso reforça a necessidade de cautela antes de confirmar um El Niño clássico. “Pode ser que realmente não haja El Niño nenhum. É melhor esperar um pouco mais porque é um período de transição”, pontuou.

Durante a palestra, o meteorologista também destacou a possibilidade de ocorrência de massas de ar polar e geadas mais intensas no Brasil em 2026. Ele citou que há chance de ao menos três entradas de frio, sendo uma na segunda quinzena de maio, outra antes do dia 10 de junho e uma terceira no final de julho. “Pode ocorrer uma que venha a causar problemas no sul do país, até o sul de Minas, principalmente no caso do café. E os animais também sofrem, o gado de corte fica no relento e pode morrer de hipotermia”, alertou.

Molion também comentou sobre eventos climáticos extremos e criticou atribuições automáticas à ação humana. Ele citou exemplos históricos de secas e cheias ocorridas antes de grandes níveis de desmatamento, argumentando que extremos fazem parte da variabilidade natural da atmosfera. “Esses eventos sempre ocorreram. São condições específicas da atmosfera. Acontecem, são raros, mas voltam a ocorrer”, concluiu.

17ª Parecis SuperAgro

A Parecis SuperAgro é uma realização do Sindicato Rural de Campo Novo do Parecis e conta com o patrocínio da Aprosoja-MT, Senar-MT, Aster (Concessionária JD), Sicoob Credisul e Sicredi, além do apoio da Prefeitura de Campo Novo do Parecis e da Câmara Municipal de Campo Novo do Parecis.