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CULTURA

Muro da AMAM transforma espaço urbano em homenagem à história de Mato Grosso

Instalação artístico-cultural assinada por Rafael Jonnier percorre elementos da formação do Estado e busca aproximar novas gerações da cultura e da identidade mato-grossense

Notícias / Publicado em 05.outubro.2026

Um muro de mais de 200 metros de extensão está sendo transformado em uma grande narrativa visual sobre a história, a cultura e a identidade de Mato Grosso. A instalação artístico-cultural do Muro da AMAM, iniciativa da Associação Mato-grossense dos Magistrados (AMAM), é assinada pelo artista Rafael Jonnier, e passa a compor o cenário de um dos cartões postais da cidade, que é o Parque das Águas.

A obra apresenta uma linha cronológica que percorre diferentes momentos da formação do Estado, com referências aos povos indígenas, à exploração do ouro, à construção de Cuiabá, às manifestações culturais, ao Pantanal e à fauna regional, até chegar à força contemporânea do agronegócio, com elementos como algodão, milho e soja.

Para Jonnier, a proposta nasceu da preocupação com o distanciamento das novas gerações em relação à história e às referências culturais de Mato Grosso.

“Nós estamos em um Estado muito rico, com uma cultura incrível, só que eu percebo que a nossa geração está meio que deixando de lado a história do nosso povo. A ideia foi retratar uma linha cronológica de toda essa história, desde os bandeirantes, passando pelos indígenas, pelo ouro, pela construção de Cuiabá, pela nossa identidade cultural, pelo Pantanal, até chegar ao agronegócio”, explica.

Cada elemento foi escolhido para despertar curiosidade e estimular o público a conhecer a história representada no mural. A linguagem lúdica e geométrica, uma das marcas do artista, também tem papel importante na composição.

“Meu principal foco foi trazer a nossa história para esse muro e levar isso para os adolescentes, para essa nova geração. Eu acredito que a arte consegue influenciar”, afirma Jonnier.

Entre os elementos que remetem à identidade regional está o pescador, cuja cabeça faz referência à viola de cocho. A obra também reúne animais, peixes, vegetação e símbolos da cultura mato-grossense.

A localização do mural amplia essa proposta. Diante do Parque das Águas, a instalação passa a dialogar diretamente com o cotidiano da cidade.

“Eu sempre passei naquele muro e falei: meu Deus, muito branco. Eu tenho essa visão de, quando olhar algo, desejar pintar naquele lugar. Alguns anos atrás eu falei para Deus que queria pintar esse muro. E aí veio essa oportunidade”, conta o artista.
A execução do projeto envolveu uma equipe de mais de dez pessoas e cerca de três meses de trabalho, entre a preparação do fundo e a produção dos detalhes da composição.

Arte e Justiça

Para o artista, a instalação também representa um momento importante de sua trajetória. Jonnier começou trabalhando com grafite e intervenções urbanas e relata ter enfrentado preconceito por utilizar a arte em espaços públicos.

“Pintar esse muro, que é de uma associação de magistrados, traz uma autoridade muito grande para o meu trabalho e um reconhecimento de algo que comecei há 15 anos”, afirma.

A presidente da Associação Mato-grossense de Magistrados (AMAM), juíza Jaqueline Cherulli, destaca que a iniciativa reforça o compromisso da instituição com a valorização da cultura, da memória e dos espaços de convivência.

“O Muro da AMAM traduz uma compreensão importante sobre o papel das instituições. A Justiça também dialoga com a cultura, com a história e com a sociedade. Ao transformar esse espaço, buscamos despertar pertencimento, curiosidade e valorização da nossa identidade mato-grossense”, afirma.

Para a presidente, a arte também amplia os espaços de diálogo entre a magistratura e a sociedade. “Valorizar a memória, a cultura e a identidade de um povo também é uma forma de fortalecer os vínculos sociais e reconhecer aquilo que nos constitui enquanto sociedade. Com a instalação, um espaço antes marcado pelo concreto ganha cores, personagens e símbolos de Mato Grosso. O Muro da AMAM se transforma, assim, em uma grande tela a céu aberto e em um convite para que diferentes gerações conheçam e valorizem a história do Estado por meio da arte”, pontua a magistrada.

Além da presença física, o muro da AMAM ganhou espaço digital. Quem quiser conhecer mais detalhes e a história da obra, pode seguir a página criada pela associação no Instagram e dedicada à instalação artístico-cultural por meio do @murodaamam.