O cenário atual e as perspectivas do mercado pecuário foram debatidos pelo consultor Ronaty Makuko durante palestra realizada nesta quinta-feira (7), na programação técnica da 1ª Arinos Show Agro, no Parque da Acrivale, em Juara. Ao falar sobre tendências para 2026 e 2027, Makuko ressaltou que a pecuária vive um novo momento, marcado pela intensificação produtiva, aumento dos custos e necessidade crescente de gestão financeira.
O palestrante, que é Engenheiro Agrônomo, pecuarista e uma das referências na pecuária brasileira, possuindo mais 51,2 mil seguidores no instagram, avalia que o setor abandonou um modelo extrativista e passou a exigir investimentos cada vez maiores dentro das propriedades, tornando o capital de giro um fator determinante para a rentabilidade do pecuarista.
“Existem duas pecuárias, a do passado, que era extrativista, e a de hoje, que está cada vez mais intensificada. Para adubar um hectare de pasto, o produtor gasta pelo menos R$ 2.600 ou R$ 2.700. E, quando intensifica, ele sai de um animal por hectare para dois ou três, o que exige muito mais dinheiro no caixa”, explicou.
Makuko comparou os custos da pecuária intensiva com a agricultura e afirmou que, à medida que o sistema é verticalizado, o investimento necessário se torna mais oneroso do que o cultivo de grãos, o que requer mais atenção do produtor à gestão de custos e ao planejamento do capital para evitar desequilíbrios financeiros.
Outro ponto abordado foi o chamado “ágio” entre o preço do bezerro e o boi gordo, que, segundo o consultor, não deve ser encarado como um problema, mas como uma realidade de mercado que exige maior eficiência na recria e na engorda.
“O ágio não é um problema. O americano, por exemplo, tem um ágio de aproximadamente 70%. No Brasil, ele deve permanecer e, na minha visão, vai até 2028. E não me estranharia ver um ágio de 45% ou 50%, porque ninguém quer produzir bezerro”, afirmou.
Ao analisar o cenário global, Ronaty Makuko destacou que a redução do plantel mundial e o aumento da demanda por proteína indicam um ambiente promissor para a pecuária, com possibilidade de valorização ainda maior do bezerro. O palestrante citou que países como Estados Unidos, Austrália e Argentina enfrentam redução de rebanhos e que a oferta global está mais limitada.
“O mundo produz menos carne e a demanda por proteína só aumenta. Nós estamos com o menor plantel de vaca dos últimos 20 anos no mundo. E se a demanda aumentou e a produção diminuiu, não me estranharia ver bezerro de R$ 4 mil sendo realidade nos próximos meses”, projetou.
Makuko também destacou que o produtor precisa tomar decisões estratégicas com base em planejamento e controle financeiro. A recomendação é que a prioridade deve ser a manutenção do equilíbrio entre receita e despesas, reforçando que o caixa é o principal indicador de sobrevivência e crescimento no campo.
“O caixa é rei. Se eu ganho R$ 5 mil, eu não posso gastar R$ 6 mil. Se a vaca me dá um bezerro de R$ 3 mil, eu não posso gastar R$ 4 mil. O produtor é corajoso e continua acreditando na atividade, mas precisa ter atenção com o custo e saber até onde pode ir”, ressaltou.
Para o presidente da Associação dos Produtores do Vale do Arinos (Acrivale) e coordenador-geral da feira, Ricardo Bianchin, a palestra trouxe reflexões importantes sobre gestão e tomada de decisão. “O mercado pecuário vive um momento de transformação, e palestras como a do Ronaty ajudam o produtor a enxergar com mais clareza o cenário e se preparar para as decisões certas. A Arinos Show Agro foi pensada exatamente para oferecer conteúdo estratégico e informação de qualidade para fortalecer a pecuária e o agronegócio do Vale do Arinos”, destacou.
1ª ARINOS SHOW AGRO
A Arinos Show Agro segue até o dia 9 de maio, no Parque da Acrivale, em Juara. A feira é uma realização da Associação dos Produtores do Vale do Arinos (Acrivale), em parceria com o Sindicato Rural de Juara, e conta com o apoio institucional da Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso (ALMT), por meio dos deputados Janaina Riva, Dr. João e Dilmar Dal Bosco; da Prefeitura Municipal de Juara; da Câmara Municipal de Juara; e da Aprosoja. Entre os patrocinadores estão: Sicredi; Sicoob Credip; GGM Insumos Agrícolas; e FortAgro Pecuária e Agrícola, Satt Tecnologia e Cresol.